Ser mãe após os 40 Anos: Desejo ou Obrigação? Divulgação - publicada em 6. 3. 2017 - atualizada 9h46 Algumas mulheres, desde muito novas e até mesmo crianças, incluíram em seus sonhos e projeto de vida o desejo de ser mãe, enquanto outras jamais pensaram ou tiveram esse desejo
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Por Cynthia Boscovich

Diferentemente do homem, a vida fértil da mulher é como se fosse uma ampulheta que foi virada. Quando a meia idade se aproxima, muitas delas têm até a sensação de que a areia está correndo mais rápido. É como se vivessem uma luta contra o relógio.

Tenho me deparado com muitas mulheres beirando os quarenta anos, às voltas com indagações e dúvidas relacionadas à decisão de ser mãe, muitas vezes chegando até desenvolver doenças afetivas, como por exemplo depressão e transtornos de ansiedade. Em geral, são mulheres que dedicaram grande parte de suas vidas ao trabalho, carreira ou outras atividades, sem pensar na maternidade.

Mas uma hora o relógio biológico bate na porta, pois a idade fértil para todas tem um fim, e é nesse momento que muitas mulheres se veem obrigadas a pelo menos pensar a respeito.

Escolher ser mãe, que requer uma atenção especial, principalmente quando se trata de mulheres que nunca antes refletiram sobre o assunto.

Essa escolha, mesmo que seja tardia, necessita brotar de um desejo genuíno. Observo muitas mulheres sentindo-se pressionadas pelo tempo, pelo parceiro, pela família e pela sociedade, para tomarem essa decisão, e o resultado disso, algumas vezes acaba sendo uma escolha por ser mãe, sem entrar em contato com o seu próprio desejo de ter um filho. Às vezes, o que era para ser uma escolha, torna-se uma decisão semelhante, como por exemplo, trocar de carro, comprar uma casa, casar, enfim, uma escolha racional, com pouca ou nenhuma ressonância interna. Talvez isso até justifique um dos motivos pelo qual tenho visto tanto em minha clínica, mães mais velhas com depressão pós-parto ou gestantes extremamente assustadas com o bebê que está para chegar.

É fato que as mulheres estão engravidando cada vez mais tarde, e uma das explicações para isso se deve à participação de igual para igual com os homens no mercado de trabalho, e o que antigamente era considerado ousadia ou quebra de tabu, hoje não se questiona mais. Contudo, mesmo com toda essa igualdade profissional, ainda nos deparamos com a dupla ou tripla jornada de trabalho realizadas pelas mulheres que se tornaram mães, tendo que administrar o cuidado com os filhos, casa, trabalho, etc. E ainda são poucos os pais que assumem de igual para igual a parceria no cuidado com os filhos. Sem deixar de mencionar as mães que criam os seus filhos sozinhos, seja por opção própria ou não.

Escolher ser mãe ou abdicar disso, não é uma tarefa fácil. Fazer essa escolha tentando se livrar dos medos, angústias e dúvidas,  muito difícil também. Por isso que eu sempre ressalto a importância do autoconhecimento e o cuidado com questões afetivas e emocionais.

Para que a mulher possa viver a maternidade com tranquilidade, é necessário que essa escolha seja feita por ela mesma, sem precisar sucumbir a outros sonhos ou desejos.

Filho é para vida toda, por isso é tão importante que essa escolha seja madura e consciente.


Cynthia Boscovich é psicóloga clínica, psicanalista. Membro regular da sociedade brasileira de psicanálise winnicottiana.

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