Equilíbrio Divulgação - publicada em 9. 12. 2016 - atualizada 14h44 Precisamos refletir e deixar de lado nosso ódio, nosso rancor, nosso hábito de achar que a rua foi feita única e exclusivamente para tráfego de veículos automotores
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Diógenes (Didi) Pasqualini

É chato ficar pregando educação, respeito, cidadania a todo momento e achar que somos a última palavra em consciência humana. Corremos sério risco de nosso senso crítico não apenas cair no ridículo como também defendermos pensamento abstrato ou até místico. Este texto não busca ser mensageiro disso, mas tenta fazer refletir sobre a tendência de um cenário ideológico que se desenvolve em São Paulo com e eleição de Doria: fim do projeto cicloviário. E parece que há muitos adeptos à proposta de sua campanha eleitoral. Há que se somar ainda o fato que poucos administradores têm visão sobre a importância e necessidade dos municípios de investirem em mobilidade urbana e o fenômeno Doria servir de desestímulo. Isso porque, infelizmente, atenção a este tipo de carência sempre ficou sob os olhares da esquerda, o que não pode ocorrer, pois os administradores deveriam se preocupar com todos, inclusive o pedestre e o ciclista. Penso que, se tem rua, tem de ter calçada e ciclovia, sem a necessidade de longas discussões. Vivemos na mesma cidade, pagamos impostos, a mantemos, logo, ciclovia não pode ser tratada como esmola de administrador, é obrigação. Assim, todos precisamos rever este nosso hábito mesquinho de ver o local público como privado.

Os que se utilizam do veículo automotor não podem pensar que têm mais direitos que os outros. Falamos tanto em educação, civilidade, somos entusiasmados com o modo de vida do americano e europeu como a última palavra em cultura; mas esquecemos que por lá o pedestre e o ciclista são vistos e tratados como cidadãos. E por aqui? Por aqui a coisa é bem simples: a minha necessidade está acima de qualquer coisa, e os mais “descolados” tentam preconizar o que a maioria precisa pensar, desejar e fazer. Assim, baixamos a cabeça e achamos que é “normal”... creio que Zé Ramalho falou isso nos anos 80 em admirável gado novo.

O debate entre esses dois extremos não pode ser tratado desta forma, é antidemocrático demais. Não é inteligente um prefeito achar que precisa ter milhares de ciclistas para construir, ceder aos apelos de quem quer mais uma faixa para seu carro ou ainda o egoísmo de alguns comerciantes que preferem estacionar seu carro na frente do estabelecimento ao ter uma ciclovia. Por esta lógica, para que construir uma calçada para poucos pedestres? Ou ruas para poucos carros? Mas mesmo assim são feitas, não é mesmo?

Precisamos refletir e deixar de lado nosso ódio, nosso rancor, nosso hábito de achar que a rua foi feita única e exclusivamente para tráfego de veículos automotores. Até as calçadas são um horror, e não é incomum carros a ocupá-las. Essa situação desagrada quem gosta e vive a cidade, pois ela destrói as relações, a cidadania, a gentileza, a liberdade, a educação, os direitos, a fraternidade, a nossa esperança de viver em um país melhor, de acreditar no outro e na solidariedade, que está tão em falta em nós hoje em dia. Não, infelizmente não estamos dando chance ao outro de argumentar sem colocar nossos interesses à frente. Não, não se iluda com “estou fazendo minha parte”, e, passivamente, concorde ou teça críticas de ódio, rancor ou tome partido pelo senso comum ou ainda cole na fala do outro um rótulo fácil. Não é isso que se espera, pois de irreflexão já estamos fartos. Temos de nos mobilizar, vencer barreiras do preconceito, cobrar, mesmo que não seja para meu benefício, mesmo que as calçadas e ciclovias não façam parte do meu mundo, mas certamente elas fazem parte de um mundo que é de todos. Torço para que o próximo prefeito, e já falamos sobre o tema em uma viagem, que ele toque adiante um projeto político, popular e não um projeto político de poder ou mesmo de ascensão social.

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