Clichê do clichê Divulgação - publicada em 25. 5. 2016 - atualizada 11h22 Fala-se muito em educação, saúde, segurança, obras, etc., etc. para todos, mas com que dinheiro, caras-pálidas? Algum candidato, agora a prefeito, se deu o trabalho de se assessorar por um economista para elaboração de projeto?
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Por Diógenes (Didi) Pasqualini

Dizia a canção: ... “na economia, se alguém deseja saber mais, pergunte à Petrobrás...”. O samba-enredo do Mestre Dadá, Bahia Berço do Brasil, de 1983, é inspirador deste texto que puxa uma conjuntura que tem me incomodado muito: a economia/política. Ano de eleição, muitos pré-candidatos testando suas habilidades “político-discursivas”, e quando alguns mais adiantados já produzem conteúdo em busca do voto. Alguém sabe como anda a economia no município? Fala-se muito em projeto, educação, saúde, segurança, obras, etc., etc. para todos, mas com que dinheiro, caras-pálidas? Algum candidato, agora a prefeito, se deu o trabalho de se assessorar por um economista para elaboração de projeto? Ou vamos de ‘nosso grupo vai fazer tudo que o eleitor quer’ - pois as pesquisas apontam - e depois dizer que a herança do antecessor impede? Sim, este discurso é muito usado por muitos que chegaram ao poder sem a mínima noção daquilo que iriam fazer, ou ainda, com projeto tão utópicos quanto fazer um cavalo falar. Nada contra os equinos, tá?

Já vi, ajudei a preparar e ouvi discursos brilhantes. Mas confesso que o modelo está prestes a se esgotar. Não estou anunciando a morte da retórica do marketing político, mas ela está entrando em processo de evolução, é natural. Assim, demora para a gente perceber como ridículo ficam alguns modelos empoeirados que sustentam nossa conversa, principalmente a política partidária. Como sempre, é bom não generalizar, mas vemos quanto e como muita gente começa a repetir os mesmos erros e acaba mimetizando os “artistas” da política. Se a gente ouvir Gilberto Gil, clichê do clichê, (“...chega de representar o que nós não queremos ser...”), creio que é possível ter dimensão da coisa.

O que me parece - e isso fica muito claro - é que o candidato sabe o que tem de fazer, mas não apre(e)nde aquilo que deve ser feito. Concorda? A maioria aparece e diz o que falta, mas raríssimos estudam sua viabilidade. Prega-se a verdade das coisas sem o mínimo de conhecimento e vende-se aquilo que muitos nem imaginam. Qual é o efeito de tudo isso? Esgotamento, panes de criatividade, fracasso, declínio dos valores do exercício político, crise. Por Foucault - em o Homem e o Discurso -, entende-se que cada época e “cada formação discursiva têm modalidades próprias de viver ”, de estar no mundo e produzir entendimentos. Então, em momento no qual buscamos qualificar as coisas, cobramos agilidade, pontualidade, exatidão, não admitimos falhas e tratamos o mundo pela precisão do funcionamento de relógio suíço. É importante saber até onde chega nosso entendimento das palavras e das coisas (Foucault, 1966).

Por fim, a maioria corre o risco de falar sozinho, sem apoio e credibilidade, aquilo que chamamos na retórica ‘ethos do falante’. Em tempos de mundo altamente codificado, a predominância do hedonismo justifica este espírito daquele pré-candidato que busca celebrizar a campanha. Ferramentas não faltam para criar o mundo festivo. É a cópia da cópia da cópia, como diz Gil; assim não há como ter brilho, nem em alta definição.

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