As certezas enganam Divulgação - publicada em 23. 3. 2016 - atualizada 22h2 | 1 comentário Saber conjugar altruísmo e egoísmo, viver menos para si e mais para os outros, talvez sejam os maiores desafios ao tomar o poder
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Por Diógenes (Didi) Pasqualini 

Se há uma frase que expressa ideia completa de nosso comportamento, por vezes equivocado, é essa do título. Para mim, é quase um mantra, e a uso muito no marketing político. E no processo eleitoral ela se encaixa como uma luva. Este texto busca dialogar com as seguintes questões: será que o administrador de sua cidade a vive como deveria? Dá para administrar bem à distância? Se houver uma resposta rápida, do tipo “tem de ter uma equipe competente para tal empreitada”, recomenda-se parar por aqui. Por dois motivos: primeiro, porque o administrador tem de ter visão mais humanística do que é comunidade, daquilo que se compreende por ver os problemas sociais, afinal, recai sobre seus ombros a decisão final, e não de sua equipe; e, segundo, é ele quem tem de “problematizar” as dificuldades para seu time resolver, e não o contrário. Ou seja, tem de ter conhecimento, ideias, ser ético e propor um modo capaz de conduzir sua administração ao diálogo e negociação e não ser reconhecido por ser “corajoso”, que muitas vezes combina com “teimoso”. 

É importante pensar que aquele que não vive a sua cidade no seu “campo” talvez não vá conseguir cuidar como deveria. O prefeito, ao ver os problemas da janela de seu carro, não sabe, por exemplo, quantos buracos e obstáculos têm as calçadas. Não consegue ver como é difícil pedalar por ruas malcuidadas e com carros estacionados dos lados, sem ciclovias. Também, não utilizar ou pelo menos frequentar o atendimento no postinho de saúde, não fazer uso da pracinha perto de casa ou da segurança pública são alguns dos exemplos de como a gente vive nossa cidade em uma redoma de vidro - imagine a grande maioria dos administradores! Quantas vezes você viu seu prefeito em sua rua ou locais problemáticos? 

E não é só o prefeito que deveria fazer este exercício, mas todos nós. Por exemplo; motorista mais apressado se se colocasse no lugar do ciclista conseguiria avaliar melhor que a norma para ultrapassagem segura é de 1,5 metro. O pedestre não usa a faixa é porque poucos a respeitam.  Atravessar nela ou não, o risco é o mesmo. Um corpo caído na calçada é apenas alguém que é “vagabundo”, não nos diz respeito; a mãe que grita por atendimento é apenas mais uma pessoa, “fazer o quê?” E por aí vai. Percebemos tudo isso? Cada vez menos. 

Em alguns grupos de estudos tenho acompanhado várias pesquisas, e esta falta de acuidade dos prefeitos aparece bem. Muitas vezes os problemas são simplesmente entendidos como recorrentes na saúde, educação, trânsito, emprego, acesso à moradia, etc.; é normal. Em algumas metrópoles a imigração já é vista como algo que incomoda as pessoas e causa certo desconforto, aliado aos indigentes e drogados que ocupam praças e prédios abandonados. Seriam estes os grupos diversos que destoam dos costumes locais? 

Quando juntamos as pontas vemos porque a visão da maioria dos administradores está cada vez mais míope e sua gestão se concentra no glamour de pequenos “feitos”, como inaugurar iluminação, praça, ruas e até recapeamento de avenida. Saber conjugar altruísmo e egoísmo, viver menos para si e mais para os outros, talvez sejam os maiores desafios ao tomar o poder.

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Comentários
por Juscelino Sal em 24/03/2016 - 06:27
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Resumo do texto...
Encaixe perfeito para metrópole da alegria e dos balões.
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