O papa, Saramago e a hipocrisia Divulgação - publicada em 27. 4. 2015 - atualizada 16h39 E são pedras de todos os lados a cada declaração lúcida e sincera do Papa. O papa Francisco não veio horrorizar nem escandalizar. Talvez ele seja o tapa na cara que a humanidade precisa para lembrar que se julga racional
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Por Rita Garcia

O papa Francisco choca por total falta de hipocrisia. Outra grande característica dos seres humanos é a hipocrisia. O nome que se dá para quem sofre de hipocrisia aguda é normose.

Conheci esse termo em 2013 em um periódico mensal. Psicólogos explicam que normose é “um conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos em graus distintos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida”.

Bom, sofrer de normose me dá ainda mais certeza da ideia de que somos seres irracionais. Devemos viver de acordo com as vontades e crenças alheias? Normal é seguir o senso comum, mesmo que você não concorde com ele? Normal é fazer o que te leva à doença e abalos psíquicos por que os outros esperam que seja assim?

O Papa Francisco com suas declarações choca a população mundial, que sofre de normose. Quem nunca deu uma palmada nos filhos? Quem nunca reagiu com violência quando ofendido? Quem é que transa com intenção de procriar? Quem não tem teto de vidro atire a primeira pedra.

E são pedras de todos os lados a cada declaração lúcida e sincera do Papa. O papa Francisco não veio horrorizar nem escandalizar. Talvez ele seja o tapa na cara que a humanidade precisa para lembrar que se julga racional.

Metaforicamente, o enredo de Ensaio Sobre a Cegueira faz uma crítica a essa mania que o ser humano tem de querer ser normal. De seguir o senso comum (?) do coletivo.

Revistas dizem que é normal ser magro, a moda diz que é normal gostar de estampas e o jeans ser rasgado. Há sempre uma dieta, gírias, modelo de sapato, marca de tênis, modalidade de ginástica na moda. E o normal é gostar, mesmo que você não goste.

No livro do Saramago a única mulher que não ficou cega lutava contra a normose. Normal era se acostumar com a sujeira, não diferenciar luz de escuridão, aceitar sem questionar. Ela via. A vida real está cheia de pessoas que não sofrem de normose, que têm coragem o suficiente para encarar o medo, que ousam sair da ‘caixinha’, que enxergam. O Papa é uma delas.

Não questionamos porque não é normal questionar, reclamamos, julgamos, apontamos, mas nunca refletimos porque refletir gera questões que causam incomodo e levam o outro a refletir também e a se questionar e, como diz um outro clichê: nosso pior inimigo é a gente mesmo. 

As declarações do Papa Francisco geram desconforto e críticas. Esse Papa declarou que veio com a missão de resgatar a credibilidade da Igreja Católica, perdida há muito pela prática continua de normose. Logo que assumiu a função, Francisco declarou que é preciso amor à verdade e sincera humildade, e é tudo o que ele faz. Palavras convencem, mas são as ações que dão credibilidade ao que quer que seja. E Papa Francisco sabe disso.

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