Questão de hábito Divulgação - publicada em 8. 10. 2014 - atualizada 11h53 Se as pessoas tivessem consciência ambiental as sacolinhas poderiam continuar a ser utilizadas, não seria preciso radicalizar com uma proibição
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Por Rita Garcia 

Novamente a polêmica das sacolinhas entrou no noticiário. O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a liminar que impedia a aplicação da regra da lei de 2011 que proibia a distribuição de sacolas plásticas no supermercado. O quê? Para simplificar: Do dia 07 ao dia 30 de outubro os estabelecimentos têm de se readequar à lei. O que isso significa?

Na minha humilde opinião, nada. E lei nesse país é cumprida? A pergunta certa não é essa, a pergunta é: e lei nesse país é fiscalizada? Vou eu novamente recorrer a Peter Senge e a filosofia do pensamento sistêmico: a causa dos problemas deve ser combatida na raiz.

Em 2008, há exatos seis anos escrevi um artigo no meu blog em que me referia a essa polêmica. Naquela época começava-se a falar das sacolas retornáveis. As pessoas se questionavam como iriam fazer compras sem as malfadadas sacolinhas plásticas. “Onde vamos colocar o lixo?” era um dos principais questionamentos. E o que aconteceu? Nada.

Entre polêmicas, debates, aprovação da lei e liminar que suspendia a aplicação da proibição pedida pelo Sindicato da Indústria do Material Plástico do Estado o uso das sacolinhas permaneceu soberano.

Eu utilizo as sacolas retornáveis desde aquela época, primeiramente porque acho mais prático e segundo, claro, estou em um processo de consciência ambiental um pouco por consciência própria, um pouco por filosofia corporativa e mais um tanto por obrigação. Mas toda vez eu preciso explicar para as pessoas do caixa que “não, não é preciso colocar os produtos na sacola plástica antes de colocar na minha sacola retornável”.

Voltemos a Senge, precisamos analisar o todo e então combater a causa dos problemas. Se houvesse educação ambiental precisaríamos de uma lei para isso? Se as pessoas tivessem consciência ambiental as sacolinhas poderiam continuar a ser utilizadas, não seria preciso radicalizar com uma proibição.

Estamos sempre tentando resolver problemas da forma mais fácil, mas nunca de forma eficaz. Ações com mais foco dão mais resultados, porém resultados com menos obviedade (a proibição faz com que ninguém mais use, a educação torna o uso uma opção). A nossa discussão está sempre muito longe de nos fazer enxergar de fato o problema.

O Brasil não tem plano de ação para implementar os projetos idealizados. A lei determina a proibição das sacolinhas. Mas tem fiscalização para ver se a lei será cumprida? As pessoas sabem o por quê da proibição? Haverá algum trabalho de conscientização a ser realizado com os estabelecimentos para que entendam o processo e repassem aos consumidores?

É preciso, além do trabalho de consciência ambiental da população, explicar porque o uso está suspenso. A comunicação se faz necessária. Senge diz com muita sabedoria que “os problemas têm sua origem mais nas formas básicas de pensar e interagir do que nas peculiaridades da estrutura e política organizacionais”.

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