Política, eleições e horcruxes Divulgação - publicada em 7. 8. 2014 - atualizada 10h6 O processo para que um político chegue ao poder funciona como uma horcrux. Ele sela acordos em troca de dinheiro para a campanha. Em contrapartida, promete absurdos. Eleição vencida, esse político morre e são as horcruxes a viver
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Por Rita Garcia

Gosto de discutir política e ouso refutar a conversa de que precisa entender de política para falar dela. Emmanuel Kant afirma que a inteligência é medida pela quantidade de incertezas que um homem pode suportar, portanto quanto mais se sabe mais não se sabe nada.

Estava numa discussão há pouco com alguns colegas de trabalho, que insistem em dizer que não votam no PT. Boa seguidora do pensamento sistêmico, ressalto um de seus principais sustentos: é preciso conhecer as causas subjacentes para então combater a raiz. E, Deus, como isso serve para tudo.

O grande problema da política, como afirmo desde as eleições municipais de 2012, somos nós. Não é o PT ou o PSDB, o problema somos nós. Numa democracia a soberania é popular. Abram os olhos, entendam o contexto disso, aí então discutiremos a ação dos partidos.

Pra quem não sabe, horcruxe é uma palavra inventada pela escritora inglesa J.K Rowling, autora da série de livros Harry Potter. A horcrux permite que quando um bruxo mata uma pessoa ele divida a sua alma em fragmentos. Isso significa que se alguém tentar matá-lo, ele não morrerá de fato, pois será possível sobreviver pelos pedaços da alma que ficaram guardados.

O processo para que um político chegue ao poder funciona como uma horcrux. Ele sela acordos e mais acordos com empresários, outros partidos políticos, grandes corporações etc em troca de dinheiro para financiar sua campanha. Em contrapartida, promete acordos absurdos e extremamente prejudiciais ao povo brasileiro caso ganhe uma eleição. A eleição vencida eu metaforizo aqui como a morte desse político. Ao contrário do que acontece no livro do Harry Potter, são as horcruxes que querem a vida.

Quem paga esse preço? Quem paga os favores prometidos por políticos a grandes empresários, grandes corporações, outros partidos políticos? Sabemos quem paga. A pergunta é: como se pagam esses favores? Sacrificando a população. Como? Dando à população impostos sobre impostos, serviços de péssima qualidade, mão de obra despreparada e desmotivada, infraestrutura precária. Somos vítimas? De forma nenhuma, somos coniventes.

O que esperar de um governo cuja população não pensa no coletivo? Uma população que suja ruas e calçadas por que a si não incomoda e danem-se os demais? Uma população que se endivida cada vez mais porque consome prometendo pagar com o que ainda não ganhou? Uma população que não respeita vagas para deficientes e idosos?

Por favor, menos vitimização e mais arregaçar de mangas. Dizem que a salvação da pátria é a educação. Concordo, mas há de se mudar o discurso. Aprender a fazer mais com o menos que se tem para então ter força de cobrar e exigir o que se é de direito de fato.

Aprendi que os textos devem apresentar uma introdução, desenvolver uma problemática e finalizar com uma possível resolução. Como em todos os textos que me arrisco a falar de política, afirmo novamente: O problema somos nós! E sugiro que passemos a de fato nos analisar como o problema e a pensar na possibilidade de que se mudarmos nosso pensamento, discurso e ações de fato as coisas podem começar a melhorar.

A eleição desse ou aquele não muda o roteiro dessas história, enquanto continuarmos com o mesmo discurso e as mesmas reclamações. A cada eleição só vão mudar os personagens. Já o enredo sempre será o mesmo.

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