Do marketing ao marketing político Divulgação - publicada em 25. 7. 2012 - atualizada 16h46 As principais ferramentas do profissional de marketing são a intuição e a pesquisa. Philip Kotler (2002) diz que quando finalmente achamos que entendemos o “marketing, ele dança nova música”
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Por Diógenes (Didi) Pasqualini

Possivelmente ele quisesse deixar bem claro aos que se habilitam à profissão que não existem mágicas e muito menos “gênios”. É difícil resistir, principalmente em uma sociedade notadamente constituída por “escolhas e escolhidos”. Kotler talvez queira chamar a atenção para uma proposta de marketing que se faz pela análise em trânsito com o conhecimento, mais a experiência, sem celebrar o que já foi conquistado. Essas articulações possibilitam observar o comportamento das pessoas, modo de vida, produção de cultura e a sua existência em um mundo marcado pelo consumo e pelas convenções que modificam as lógicas de mercado a todo o momento.

O marketing político, apesar de, na maioria das vezes, ser relacionado ao de produto, ainda carece, para se estabelecer no mercado, de bibliografias que não estejam voltadas apenas ao lugar comum da propaganda. Ele é muito mais um jogo de poder, saber e verdade (Foucault) do que de consumo e desejo. Está mais ancorado em quem fala do que na produção de sentido que a publicidade faz dos produtos que ela vende. Também se desenrola no campo argumentativo, da persuasão, busca pela verdade, o que se distingue do perceber um valor ligado a diferenciação, status, pertencimento etc., e à vontade de consumir sempre mais produtos.

Essa longa introdução de duplo conceito se presta para observar estratégia de marketing político bastante comum neste período eleitoral: a da distribuição de folhetos, assinados ou não, contra este ou aquele grupo político ou partidário. A pergunta que deve ser feita do ponto de vista do jogo de poder é se tem validade ou se presta a valorizar ainda mais quem está sendo alvo. Em primeiro lugar é preciso observar quem está falando. Tem credibilidade? Tem voto? É conhecido pelo eleitor? Qualquer um pode fazê-lo? Encontramos em Foucault (2001: 47) respostas inequívocas para estas questões. “A sociedade requer uma referência de quem é o criador do discurso para lhe dar credibilidade, predisposição ou interpretação”.

É muito importante analisar esta questão e de certa forma entender os motivos pelos quais um folheto que denuncia abusos administrativos, por exemplo, funciona em um momento e. em outro, não. A assinatura das coisas, o caráter de verdade e sua validação sempre vêm acompanhados e pedem ancoragem ao seu criador. A ele a sociedade vai dar crédito ou não, atribuindo como “verdadeiro” ou não seu conteúdo.

Caminhando um pouco mais encontramos outro filtro muito interessante a ser analisado. Um discurso que se situa entre o verdadeiro e o falso implica necessariamente a observação de quem está falando e a responsabilidade de seu autor no discurso produzido. Toma-se pelo simbólico, partidariza, faz enveredar pelo lado em que a verdade possui um histórico mais presente. Diante disso é inegável que o político tenha como marca o alinhamento a coisas verdadeiras, reconhecidas pela sociedade e às quais esta credita sua voz. Outro fator a ser observado é o que pode ou não ser dito, já que nem tudo pode ser proferido sem credibilidade ou ainda aproveitar de oportunidades que o leitor venha a entender como eleitoreiras.

Referência:
Kotler, Philip. Marketing para o século XXI – Como criar, conquistar e dominar mercados. Tradução Bazán Tecnologia. São Paulo: Futura, 2002.

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