A onda é o discurso novo Divulgação - publicada em 26. 10. 2011 - atualizada 11h25 Creio que chegou a hora de pensar melhor na questão da segmentação e refletir sobre a habilidade que o candidato “new wave” tem ao conversar com o “multieleitor” que está aparecendo
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O candidato deve se aquele que domina um tema e tem a potência de arrastar a maioria em torno de uma ideia.

*Por Didi Pasqualini  

Ao trazer para o debate a proposta de lançar candidatos, teoricamente desconhecidos, os líderes de partidos reconhecem, pelo menos em parte, que os nomes mais conhecidos que pertencem aos seus quadros sofrem o desgaste natural pelo uso excessivo de suas imagens.

Também é o indício de um possível esgotamento do discurso partidário na eterna luta pela diferenciação dos demais. Em São Paulo o ex-presidente Lula articula a ideia de lançar alguém que apresente “uma proposta inovadora”. Os nomes mais conhecidos estão sendo preteridos. Talvez Lula, ao acertar em lançar Dilma à Presidência, tenha argumentos suficientes para que o grupo partidário não se oponha.

Tenho defendido esta hipótese também em conversas com amigos e políticos e acredito que esta será uma tendência relevante nas eleições municipais no próximo ano. Mas, por quê? Duas hipóteses me agradam bastante.

A primeira é a de que nos últimos anos a corrupção no País tem afastado enormemente o eleitor do processo e seu interesse pela política vem caindo consideravelmente – de 1989 para cá, perto dos 30%, segundo as pesquisas mais otimistas. Apresentar nomes desconhecidos descola um pouco a rejeição ao processo eleitoral e produz sensação de que há mudanças, não só ideológica, mas de valores em curso.

A segunda hipótese diz respeito à visão estratégica de que o novo sempre “vende” melhor, porque é possível agregar nesse corpo estratégias que no outro, já conhecido, podem ser descoladas com facilidade pelo adversário e até pelo eleitor. Claro que discurso atrelado à experiência, ao que faz, à especialidade, ao artífice, a mãos limpas etc. tem seu lugar no mundo, mas no momento precisa ser revisto – creio que carece de algo a mais, o oposto do que o marketing político tem ensinado até aqui.

Ou seja, que é preciso segmentar para buscar o voto; que o candidato deve se aquele que domina um tema e tem a potência de arrastar a maioria em torno de uma ideia; que se deve facilitar o reconhecimento do discurso por parte do eleitor: onde o candidato A cuida do social; candidato B, meio ambiente; candidato C, infraestrutura etc. Neste algo a mais tem lugar a percepção de que o discurso, por mais fabricado que possa ser, precisa ser entendido pela maioria.

Que mudança tem de ser aceita e não imposta, por melhor que seja o projeto. Que a noção de fazer política possui contraste diferente entre o eleitor e o candidato. E acima de tudo, para não fazermos aqui uma lista infindável de chatos conselhos, a pesquisa em torno dos problemas e daquilo que se deseja solucionar, pois uma campanha não começa por um desejo isolado e muito menos pela propaganda, ela começa com uma pergunta: por que sou candidato?

Talvez o que Lula esteja vendo é justamente o que o mercado de trabalho valoriza nas grandes empresas hoje em dia; aquele profissional especialista em sua área, mas sensível também aos estudos dos campos de conhecimento que cruzam outras áreas do saber. A ciência política, sociologia, psicologia, antropologia, filosofia, ciência cognitiva, comunicação, entre outras, conversam bem e ajudam a entender esses caminhos.

Creio que chegou a hora de pensar melhor na questão da segmentação e refletir sobre a habilidade que o candidato “new wave” tem ao conversar com o “multieleitor” que está aparecendo. Um eleitor que deixa a passividade de lado e começa a buscar por sinais que forneçam pistas de que o candidato tenha um projeto de governo. De qualquer modo, daqui para frente é preciso, pelo menos, considerar que o marketing político precisa achar um lugar dentro dessa tendência.

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