A espera por um nome Divulgação - publicada em 2. 1. 2012 - atualizada 14h49 Os partidos políticos, de maneira geral, vivem uma crise de propostas, e isso se reflete na formação de novas lideranças
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Por Diógenes (Didi) Pasqualini

O partido que tiver em seu quadro um nome de consenso para concorrer à eleição no próximo ano pode ser comparado a um grupo empresarial herdeiro de uma marca conhecida e com poder de venda no mercado, pela fama adquirida e a imagem positiva que o consumidor tem do produto. Os partidos políticos, de maneira geral, vivem uma crise de propostas, e isso se reflete na formação de novas lideranças. Em parte, podemos observar que esse fenômeno ocorre pelo esgotamento de temas como saúde, educação, habitação, entre outros. O que era bandeira dos chamados partidos de esquerda – priorizar as políticas sociais – passou a ser também dos de centro e direita e mote de boa parte dos candidatos que tentam viabilizar seu nome na eleição. Os temas sociais citados acima eram patrimônio, como bem notou Gutiérrez (2010), da esquerda e passaram a ser partilhados com todos.

Depois de décadas de discussão, o que era considerado utopia, ilusão, fantasia etc. passou a ter contornos mais reais. É inegável que as lutas empunhadas pela “esquerda” no passado estão sendo “capitalizadas” hoje. Afinal, há 30 anos, falar de reforma agrária, por exemplo, era tão utópico como a proposta de libertar os escravos no século XV. A transformação dessas utopias não deixa de ser uma “valentia política” observada por Gutiérrez, quando afirma que o não atendimento ao rico em função do pobre, em um primeiro momento, implica ser “impopular”, principalmente quando se apresentam novos projetos. Antes, distribuir terra era um ato condenado pelas “elites”; hoje, nem tanto. Talvez o exemplo mais recente seja a distribuição de recursos aos mais pobres, que recebe crítica por produzir “desocupados”. Essa “valentia”, apesar dos riscos, agrega ao proponente um “capital” de marketing muito positivo. Mas isso não acontece do dia para a noite, precisa de tempo para se estabilizar no ambiente.

A padronização dos discursos força o investimento cada vez maior nas estratégias de comunicação e marketing. Afinal, a maioria dos eleitores enxerga que todos falam praticamente a mesma “coisa”, e um dos motivos para isso é que a propaganda ajuda a produzir a artificialidade do novo. Talvez seja em função disso que o eleitor comum não consiga ver a diferença entre partidos, bandeiras, ideologias, crenças etc. “Tudo é marketing, tudo são estratégias”, seja quando Lula aparece sem cabelo no jornal ou quando uma bolinha de papel cai na cabeça de Serra.

São em formatos, apresentação, propostas etc. da maioria dos partidos que podemos perceber a personificação da homogeneização dos discursos. Se antes tínhamos diferentes correntes ideológicas, hoje o eleitor não consegue vislumbrar diferenças de postura. E isso não é positivo, pois todos os partidos são rotulados como se tivessem o mesmo conteúdo programático. Assim, percebe-se que fica na sociedade a sensação de ultrapassado, pesado, ineficiente, sem função de existir. Na realidade as utopias agregam as pessoas e ideais e não devem ficar esquecidas. Creio que o eleitor espera pelos corajosos que possam dizer mais daquilo que pensam, que possam falar daquilo que poucos ainda imaginaram. É desta forma que os líderes são forjados, os demais só “vão na onda”.  

Referências: Gutiérrez-R. A. Filopolítica: filosofía para la política. Publicado en la Revista de la Fundació Rafael Campalans, 2010.

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