Diálogos com o eleitor Divulgação - publicada em 29. 8. 2011 - atualizada 10h43 Em princípio é preciso entender – e a maioria dos políticos não entende – que o tema “política” é distante para a maior parte do eleitorado. O eleitor geralmente se orienta pelas opiniões dos especialistas
Opções
a- / 
a+
Comentar

Indicar

Imprimir

Achei um erro

Já diziam Perelman e Olbretches no Tratado de Argumentação (2005), “(...) ouvir alguém é mostrar-se disposto a aceitar-lhe eventualmente o ponto de vista”.

*Didi Pasqualini

As campanhas políticas refletem o cotidiano de uma localidade e nos fornecem um mapa de suas características, costumes, cultura etc. Ao falar ao eleitor, este quadro pode ser observado e a conversa deve acomodar crenças, vontades, visão de mundo e os problemas que mais afetam sua vivência em sociedade e suas características particulares.

Saber falar aos diversos auditórios é agregar simpatizantes ao nosso discurso. Já diziam Perelman e Olbretches no Tratado de Argumentação (2005), “(...) ouvir alguém é mostrar-se disposto a aceitar-lhe eventualmente o ponto de vista”.  Este talvez seja o primeiro obstáculo a ser transposto: encontrar auditórios dispostos a ouvir sobre um tema tão desgastado na atualidade; a política. Esse artigo busca olhar ao que se entende por “perfil do eleitor”, analisado aqui como auditórios e, deste modo, refletir como cada grupo pode compor “auditórios” distintos, com o objetivo de facilitar a elaboração dos processos discursivos.

Em princípio é preciso entender – e a maioria dos políticos não entende – que o tema “política” é distante para a maior parte do eleitorado. O eleitor geralmente se orienta pelas opiniões dos especialistas. Os meios de comunicação exercem forte influência sobre as pessoas, que se baseiam na divulgação da notícia e, depois, muitas vezes, confrontam-na com a visão daqueles que “traduzem” o discurso político nas mídias. Quando um âncora da TV diz que isso ou aquilo é “uma vergonha” ou faz elogio, há um impacto muito grande no discurso  do político. Desta forma, o eleitor vai construindo a imagem e avalia se o candidato é bom ou não.

Existe, também, parte do eleitorado que se alinha a questões ideológicas mais pontuais. Esse grupo busca qualidades que não vão necessariamente a reboque do que pensam os especialistas, pois têm visão consolidada sobre a política e os políticos. São os chamados “grupos ideológicos”, que veem na figura do partido, de líderes religiosos, de pessoas, segmentos, etc. o alvo de seu voto. Há outra parcela do eleitorado que vota pelo que representa o candidato.

Esse perfil é facilmente encontrado nos líderes políticos, religiosos, escritores, atores, comediantes e assim por diante. A esta parcela do eleitorado não importa o partido ou ideologia, a crítica ou elogio do especialista, mas sim como o candidato já é conhecido no meio e qual é a imagem que ele construiu ao longo de sua carreira, que nem sempre foi construída na área político-partidária. O exemplo mais próximo é o do deputado federal Tiririca.

Outros grupos do eleitorado que refletem parcela considerável da sociedade são ligados a etnias, minorias, juventude, intelectualidade, ambientalistas, etc. Essa parcela do eleitorado mostra-se disposta a verificar, no candidato, a oportunidade de dar voz a questões pouco discutidas na sociedade. Temas que ela valoriza e que na maioria das vezes não é contemplado de forma que este eleitorado se paute pelo discurso não focado pela maioria dos candidatos. O fenômeno Marina Silva na eleição presidencial em 2010 pode ser ilustrado neste exemplo, onde o tema meio ambiente capturou boa parte do eleitorado brasileiro, ansioso por propostas que contemplam o assunto.

Tem mais informações sobre esta asunto? Partilhe sua experiência. Seja um Repórter!
Comentar
Indicar
Imprimir
Achei um erro
Indicar


Comentar no Guia
Para comentar essa matéria é preciso ser um leitor cadastrado.
PUBLICIDADE - Anuncie aqui.