Centro de si por Claudia Canto - publicada em 11. 3. 2011 - atualizada 10h51 Introvertido, inibido, retraído, envergonhado, tímido. Como contornar os sintomas de uma fobia social guardada a sete chaves?
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Lídia deixando a timidez e descobrindo-se como atriz.

Por Cláudia do Canto
claudia@idrops.com.br

Instantes antes de subir no palco pela primeira vez, a única frase que saía de sua boca era “não consigo”. A atriz Lídia Christofoletti, hoje com 24 anos, nem imaginava que alguns anos mais tarde decoraria um “bife” (uma fala longa no teatro) para ser ouvido por uma vasta plateia, pois essa seria sua profissão. Ao olhar seu passado, ainda alguns anos antes de alcançar os palcos, Lídia sentia calafrios só de se imaginar apresentando um trabalho na escola. Depois de certo tempo, o medo foi adquirindo proporções maiores até chegar o momento em que sentia muita vergonha de conversar com qualquer pessoa desconhecida. “O que mais me deixava envergonhada era ter que falar em público. Quando chegava esses momentos eu inventava uma desculpa, faltava à aula ou dizia que estava passando mal”, confessa ao recordar seus momentos de aflição.

Se na memória de Lídia as cenas de timidez ainda ocupam espaço, a psicóloga Idania Peña Grass, pós-doutora em Psicologia esclarece que a timidez é apenas uma característica da personalidade que pode ser trabalhada ou até mesmo colocada em seu devido lugar. “Timidez não é uma doença, é apenas uma dificuldade que não deve ser catalogada. Ficar vermelho de vergonha em uma entrevista de emprego, por exemplo, é uma maneira de reagir ao desconhecido. O problema se agrava quando o medo de enfrentar a situação interfere nas atividades e se transforma em uma fobia social”.

Tanto a timidez quanto a fobia social podem provocar sensações de medo, suor em algumas partes do corpo, como mãos e pés e, aceleração cardíaca. No entanto, a linha tênue que identifica se a pessoa sofre de um “mal” ou de outro é a incapacidade de enfrentar uma situação desconhecida.

Entretanto, na timidez, uma mudança comportamental já surte efeito, enquanto na fobia social é recomendável um tratamento psicoterapêutico para que o indivíduo possa encontrar em sua história de vida a origem do problema.

De dentro pra fora

A interação com o outro se mostra ainda mais difícil conforme o grau de expectativa e aprovação. Por este motivo os transtornos ligados à ansiedade se manifestam na maioria das vezes na adolescência, uma fase caracterizada por transformações físicas e psicológicas, momento crucial em que “o indivíduo começa a olhar para si mesmo, a fazer comparações constantes e considerar a avaliação dos outros. Isso pode provocar efeitos desestruturadores e um sentimento de insatisfação”, observa Idania.

Apesar de os sentimentos de ansiedade e medo na maioria dos casos estarem ligados à insegurança e à falta de conhecimento de si, conforme observa Idania, não existe uma receita única capaz de revertê-los, pois “cada indivíduo tem uma história e vivencia uma mesma situação de maneiras diferentes”. Lídia fez terapia por vários anos e descobriu no teatro um caminho para superar os conflitos internos. “Expressar-me corporalmente sempre foi bom. O teatro trouxe mais confiança a mim mesma, me fez descobrir outras maneiras de mostrar meus sentimentos”, conta. Depois dos dezenove anos, lidar com a plateia deixou de ser uma situação embaraçosa, no entanto, ela não se considera totalmente livre daquele ‘friozinho’ na barriga. “Muita gente já me disse que quando interpreto uma peça de teatro viro outra pessoa. Pelo contrário, me sinto eu mesma dizendo a fala da personagem e fazendo sua ação.”

De pais para filhos

Segundo a pedagoga e vice-diretora de escola, em Rio Claro, Cássia Elisa Betetto Sciamana, o papel dos pais é fundamental no desenvolvimento da personalidade dos filhos. “Eles não devem reprimir as emoções, sentimentos e desejos do indivíduo. Mas sim, ajudá-lo a sentir-se mais seguro, confiante e independente. Só assim a pessoa conseguirá enfrentar as outras etapas da vida.” Para uma melhor convivência social, a pedagoga dá algumas dicas de como os pais podem ajudar a criança a contornar a timidez:

  • Aceite a criança como ela é, não faça comparações e não espere e nem cobre perfeição;
  • Respeite sua individualidade. Assim a interação se torna mais fácil;
  • Não se omita quando ela precisar de você;
  • Evite críticas, censuras ou zombarias;
  • Reforce suas qualidades e a encoraje;
  • Seja coerente com seus filhos e prefira dar exemplos e não sermões;
  • No primeiro dia de aula, mantenha-se sempre ao lado e de mãos dadas. Espere-a explorar o ambiente e saia com calma, garantindo que estará por perto, quando for preciso;
  • Em lugares públicos, incentive-a a perguntar preços e pedir informações, embora sempre ao lado dela;
  • Incentive-a a participar atividades em grupo;
  • Nunca diga aos outros que seu filho é tímido, pois isso poderá agravar a situação e fazer com que a criança se retraia ainda mais;
  • Ensine as crianças a serem autônomas nas coisas que lhes são possíveis, como alimentar-se, vestir-se, calçar-se, escovar os dentes etc.
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