O marketing como produtor de diferenças Divulgação - publicada em 24. 5. 2011 - atualizada 20h19 A sociedade escolhe o que vai comprar pautada por vontades e desejos de consumo que são midiatizados. Grosso modo, a mecânica do consumo pode ser verificada pela baixa resistência de determinados produtos.
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por Didi Pasqualini


A sociedade escolhe o que vai comprar pautada por vontades e desejos de consumo que são midiatizados. Grosso modo, a mecânica do consumo pode ser verificada pela baixa resistência de determinados produtos. Na luta pela sobrevivência no mercado, os fabricantes expõem estratégias para reduzir as diferenças e, assim, padronizam o consumo em produtos do tipo light, diet; por embalagem, cor, sabor; em associações com o meio ambiente etc. Quem não enquadra o seu produto a estas tendências dificilmente vende. A diferenciação não está mais na forma e quase que também não mais no conteúdo, mas sim na imagem e naquilo que ela vai produzir na mente do consumidor.

No marketing político esta relação precisa ser levada em conta. As campanhas estão mais parecidas umas com as outras, e o mesmo ocorre com discursos de candidatos e partidos. Há uma padronização, mesmo “tropeçando” nas ideologias, que produz a igualdade. Como nos produtos, a roupa, os discursos, os temas discutidos, a apresentação, os programas etc. também sofrem a padronização. Se resta a imagem, hipótese defendida neste artigo, qual é a imagem que o eleitor tem da política? Como ela está sendo posta e oferecida ao consumidor final? É preciso jogar luz a esse problema tão obscuro e dar um passo à frente, sob pena de se fazer apenas marketing eleitoral, imaginando ser político.

O marketing, pode-se dizer, é uma ciência, um saber que se ocupa em estudar e analisar o comportamento do consumo humano em ação no meio ambiente e a sua constante mutação, mediada por experiências, gostos e desejos. Sua conduta é regida por regras – “leis” implícitas que obedecem a um código econômico, moral, social, midiático e de aparência.

O que se percebe, ao analisar uma campanha vencedora, é o equilíbrio entre os desejos da sociedade e como eles são transformados no meio ambiente em que é posto. É muito comum o eleitor não se familiarizar de jeito nenhum com o discurso, muitas vezes rotulado como alienado, utópico e dissonante da realidade. O eleitor não se sente à vontade e rejeita o candidato. A afetividade começa quando o que o candidato “pensa” encontra no eleitor algo próximo à sua realidade, quando se dá a personificação de alguém que conhece e compartilha os mesmos gostos, prazeres e consumo daquele que o pode eleger.

É bastante comum, principalmente nas eleições municipais, candidatos a prefeito serem eleitos ao explorar temas de pouca relevância nos meios de comunicação, mas que têm reflexos locais. A participação ou o distanciamento da população no processo eleitoral estão ligados a esses fatores que são basilares em um estudo de marketing político. Não devemos esquecer a lição dos vendedores nas feiras livres, os ambulantes que exaltam os pequenos valores dos produtos que vendem quando querem nos seduzir. A diferenciação em uma campanha pode estar aí.

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